Os belgas dEUS actuaram, na passada terça-feira, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto. Desde Paredes de Coura que se sabia que eles iam voltar. Foi lá que os vi pela primeira vez. Gostei, mas não fiquei apaixonado. Os 25 euros do bilhete eram para mim como que ser revistado numa discoteca com quatro pacotes de bolachas: entro ou não?
Não aconteceu o óbvio. Acabei por ir e, agora sim, apaixonar-me pelos dEUS. Durante a semana anterior, tinha andado a ouvir algumas músicas. Cheguei à Instante Street por acaso (estava a ouvir as minhas músicas em aleatório). Percebi que tinha sido essa a cativar-me no concerto de Paredes de Coura. Fixei-me tanto na música que, quando a ouvi no Sá da Bandeira, me senti a levitar. "Epá, que felicidade do caraças" - eis a tradução inédita dos arrepios na espinha que senti ao ouvir a música. Gravei com a máquina fotográfica e ao vir embora não parei de a ouvir.

É incrível. Nunca pensei gastar tanto dinheiro numa banda relativamente desconhecida. Mas mais incrível é o facto de ter recebido de volta uma nova paixão. Quiçá, uma nova banda preferida.
O concerto foi frenético. Não do início ao fim, mas durante grande parte do tempo. A guitarra do Mauro Pawlowski é magnífica e contagia todos os outros. Com solos, dedilhados e experimentalismo ácido, Pawlowski, sempre com a mesma cara de idiota e o cabelo à frente dos olhos, foi o que mais me surpreendeu pela positiva.
O Sá da Bandeira é que me pareceu um verdadeiro antro. Surpreende-me que uma banda como dEUS actue lá. Fiz contas e planos para perceber como couberam naquele espaço minúsculo colunas, LEDs, robôs, luzes e todos os instrumentos da banda. Por experiência pessoal, tenho a dizer que odeio palcos pequenos. Talvez o Barman também não goste: mandou uma boca ao FC Porto, depois de saber que tinham perdido o jogo com o Dínamo de Kiev: "Não se preocupem, é só a Liga dos Campeões". Eu ri-me, mas acho que fui dos poucos.
Não registei nem encontrei nenhum site com a setlist. Parece-me que a cultura acima do Mondego é um bocado ovelha negra. Até para as empresas que organizam os concertos, como a Everything is New, que se recusam sistematicamente a conceder bilhetes a jornais universitários (eu, pelo menos, conheço um).
A verdade é que, mesmo tendo passado o concerto todo ao lado das colunas do lado direito do palco, adorei os dEUS. Uma nova paixão, sensata, amadurecida e temperada após dois concertos. Realmente, com eles a (minha) história começou às avessas.
Fica aqui o meu registo da Instant Street.
Deixo também aqui o artigo do meu jornal sobre o concerto.